Berserk (2017) Crítica – Episódios 4 e 5

Depois de uma semana sem fazer uma nova crítica de Berserk 2017, retorno agora analisando os episódios 4 e 5 do anime. O motivo de meu atraso em avaliar os episódios não foi por falta de assisti-los, nem por falta de tempo e sim porque o episódio 4 não tinha tantas questões a serem comentadas e creio que não daria uma postagem de tamanho razoável, por isso decidi esperar o episódio 5 para desse modo avaliá-los em conjunto,  continuando com minha formula de crítica comparativa, só que dessa vez com esses dois episódios.

Antes de começar essa crítica, como sempre faço, vou  relembra-los como avalio os episódios. Primeiramente observo quais os objetivos do episódio, se a execução consegue transmitir o que o episódio pretende trazer, quais são suas falhas  qualidades narrativas ou técnicas e tento trazer alguma comparação para ter uma visão mais imparcial do que foi executado de melhor ou pior maneira tendo como base uma boa ou uma má execução de algo equivalente. Na crítica do episódio 1 e 2 fiz uma comparação com os jogos, na crítica do episódio 3 fiz comparação entre os defeitos e qualidades do próprio anime. Nesses episódios farei um misto de ambas, comparando um pouco com o game em questão de narrativa e os episódios anteriores em questão de direção, para  ver quais aspectos foram melhorados ou piorados.

Em geral ambos os episódios tem temáticas parecidas e propósitos na trama bem próximos, são arcos narrativos que se encerram entre si, e analisar ambos episódios juntos eu diria que foi uma boa escolha. O episódio 4 introduz um pequeno arco que é finalizado no episódio 5, um arco de entrada para a grande saga desse anime, ou seja, são dependentes um do outro; apenas a primeira metade do episódio 4 é algo fechado em si mesma, a segunda metade pra frente é uma introdução dos novos conceitos de universo presentes em Berserk daqui para frente, que são muito importantes para o novo rumo desse anime. O geral de ambos os episódios é que são uma longa exposição de diversos novos conceitos, principalmente o segundo episódio mas falarei mais sobre isso analisando os episódios em si.

Episódio 4

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Como eu disse no pequeno resumo acima sobre o geral de ambos os episódios,  assim como a maioria dos episódios de Berserk 2017, o episódio 4 tem diferentes tramas.  Dessa vez são apenas duas tramas, diferente do episódio 3 em que ambas eram relacionadas, nesse episódios são distintas, tem propósitos distintos, tirando o fato de uma servir de transição para a outra, ambas não tem uma ligação temática. Mesmo assim os diretores do anime souberam separa-las muito bem para não ficarem atrapalhadas durante o episódio,  nessa questão  foi menos bagunçado que o episódio 3, em que as três tramas pareciam ter uma transição forçada, só duas delas eram relacionadas, tomavam  muito tempo, informações demais para um episódio só, sem falar do problema sobre a inclusão da terceira trama de Gatts e seu bando, que foi tão deslocada que tiveram que repetir todas essas sequencias no episódio 4 novamente.  Me preocupei tanto com os aspectos técnicos do episódio três e de Berserk 2017 como um todo,  que deixei passar diversos problemas narrativos nos quais após assistir o episódio 4 ficaram bem mais evidentes como a bagunça das tramas,  esses dois últimos episódios não cometeram esses erros, uma coisa ótima.

O episódio começa de maneira errada  mostrando as mesmas cenas da terceira trama que citei anteriormente presente no episódio 3,  essa terceira trama estava muito deslocada do episódio 3 e funcionava apenas como uma transição de tempo entre Griffith entrando na guerra e Griffith formando seu novo bando, já nesse episódio por mais que sejam cenas repetidas ( Que são retiradas não apenas do final do episódio 3 e sim de cenas no meio do episódio 3 também) funcionam bem melhor nesse episódio que no anterior, são consistentes com a primeira trama do episódio tematicamente, o único problema foi terem sido reutilizadas já que o anime não costuma fazer recapitulação, talvez.. A primeira trama é sobre a viajem desse novo grupo recém formado de Gatts e seus novos amigos até a ilha dos Elfos.

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Na primeira trama vemos muita interação dos personagens, muito sobre a relação entre Gatts e Isidro, Gatts e Sérpico, Farnese e Caska, Farnese e o resto do grupo, principalmente sobre Farnese. Essa primeira trama é mais sobre Farnese em especifico, vemos todo o caminho do grupo nas florestas, enfrentando criaturas,  o ritmo lento da narrativa mostra o quanto a viajem é longa e isso é um ponto positivo do episódio, se a viajem parecesse rápida de mais não faria sentido porque o propósito é representar uma viagem, nessa questão tanto em direção quanto em roteiro o episódio acertaram.

Vemos mais desenvolvimento da personagem de Farnese, no qual a primeira metade gira, o que faz esse episódio ter mais relação com o episódio 2 que o 3.  É sobre os questionamentos da personagem que até então teve um papel de líder forte mas nunca soube batalhar ou liderar, percebendo que afastada de seu exercito ela é uma inútil que não consegue fazer coisas básicas como cozinhar ou sobreviver na floresta. Essa metade gira em torno principalmente sobre o quanto Farnese é a mais deslocada em relação ao resto do grupo e precisa buscar amadurecer como personagem. Quanto mais a viagem progride mais Farnese se questiona sobre si mesma e mais se auto puni. É uma introdução do futuro progresso que a personagem precisará ter durante o arco mudando a visão sobre a personagem que tínhamos até agora e introduzindo um conflito a ser trabalhado por ela. Que relação esse conflito terá a nossa protagonista ? Os próximos episódios dirão,  isso é algo que será trabalhado no arco já que no episódio seguinte foi esquecido.

Gostaria de ressaltar que nesse episódio os modelos dos protagonistas estão bem mais expressivos, vemos insegurança em Farnese, malandragem em Isidro, mistério em Sérpico,  Gatts ainda é o menos expressivo mesmo sendo o protagonista, porém é compreensível já que esse modelo de personagem tem muito mais detalhes em seu desenho, e já que nessa parte Gatts não precisa demonstrar tantas emoções quanto no episódio 1 isso é algo que se pode deixar passar.

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A segunda trama é sobre a introduções dos principais inimigos do arco os Trolls, e a introdução da personagem Schierke, essa  é de uma importância tão grande que diversos novos elementos desse universo só serão possíveis com a inclusão dessa personagem , por mais que seja uma garotinha em aparência.  A magia aparece pela primeira vez, criaturas de bem aparecem pela primeira vez(Com exceção de Puck) tudo relacionado a Berserk ganha uma nova perspectiva a partir da segunda metade deste episódio. A segunda metade deixa novas perguntas e cenas de ação. Meu único questionamento quanto  ao episódio é a maneira como ele acaba, soa como se encerrasse sem uma conclusão, essa segunda trama para pela metade, um dos motivos de eu esperar o próximo episódio sair antes de avaliar, isso é um problema,  nessa segunda metade faz a trama acabar sem uma conclusão e isso torna o episódio menos redondo.

A primeira trama foi bem executada e concluída no mesmo episódio, enquanto a segunda foi iniciada e acabada pela metade sem ter uma conclusão, isso é um problema que deixou esse episódio menos auto conclusivo por si mesmo e cria necessidade do próximo, sem falar que as tramas não tem relação o que é ruim, até mesmo no episódio 3 duas das tramas eram relacionadas. Em questão de roteiro, de todo modo, o episódio 3 está bom, não ótimo mas bom.  Quanto a animação e direção falarei mais no fim do post já que dá para falar da direção de ambos os episódios de modo igual são bem parecidos.

Episódio 5

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Se pudesse definir em uma palavra o que é todo o episódio 5 de Berserk 2017 eu diria “Exposição”.  A vantagem de terminar o episódio 4 pela metade foi ter deixado diversas novas perguntas, perguntas essas que serão esclarecidas por 20 minutos inteiros. É um episódio dedicado a responder perguntas e introduzir esses novos conceitos de extrema importância para o universo de Berserk daqui para frente.

Diferente do jogo de ps2 que o foco era a ação, então a exposição foi mostrada de maneira rápida e superficial, o anime tem mais possibilidade de trabalhar certas questão de maneira mais profunda, esse episódio é uma prova disso. É um episódio com somente uma trama, sem cenas de ação, que foca em especifico em introduzir esse universo e os diversos novos conceitos dentro dele, nos preparando para o início desse arco. É um  episódio que só introduz e expõe idéias por 20 minutos, pode ser ruim para quem assiste Berserk em busca de cenas de ação, e também pelo fato de exposição não ser lá um bom recurso narrativo, já que bons escritores devem mostrar e não falar. Independente disso eu, como muitos fãs de Berserk, sabemos que vai muito além de apenas cenas de ação, e como esses conceitos são bem complexos e necessários para o entendimento do universos  e trama, como foi usado em um bom momento e dedicado um episódio apenas para esse momento,foi feito de maneira correta, não pareceu forçado.

O episódio tem um objetivo simples e apenas uma trama, por isso mesmo foi um episódio mais redondo, não tanto quanto o episódio 2 em que conseguiu encaixar duas tramas diferentes relaciona-las e mesmo assim manter coesão temática, nesse episódio teve um objetivo apenas, uma trama e soube trabalha-lo bem nesses 20 minutos, menas quantidade facilita nesse aspecto. Novas armas, novos inimigos, novos conceitos de universo é muita coisa que torna este arco especial em relação aos demais tanto do mangá e do anime e o episódio conseguiu chegar bem em seu objetivo no episódio. Foi um episódio fácil de se fazer que só de não ter sido estragado por recursos de animação ou direção que distraem o telespectador já é um bom começo, acerta no básico sem risco.

Aspectos Técnicos

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Esses dois últimos episódios me fizeram pensar que o CG não é tão ruim como eu pensava! O grande problema era a inconsistência entre 2D e 3D, assim como as câmeras que se moviam se parar.  Como foram episódios com mais CG e menos 2D, pelo incrível que pareça achei o 3D nesses momentos muito melhor que anteriores episódios, sem contraste com 2D não dá para se perceber com facilidade os defeitos do 3D, por isso os episódios fluem de maneira bem melhor, dá para se acostumar melhor com esses modelos, o problema sempre tem sido a distração que o anime faz que te tira desse universo, coisa que o episódio não faz. O principal problema do anime era não se decidir se é um anime 3D com imagens 2D ou 2D com imagens 3D, coisa que o filme nunca teve era claramente 2D com imagens CG, mas nesses episódios ficou claro que a decisão era ser CG e os usar 2D nos momentos em que o CG não conseguisse expressar com precisão. A primeira temporada ainda estava com essa confusão , por isso é muito inferior a essa que finalmente os produtores encontraram seu caminho.

Não houveram muitas cenas de ação durante os episódios mas as poucas que tiveram ficaram Ok. A cena contra as criaturas da bruxa foi bem bonita, com o único problema de ter uma trilha sonora de suspense, creio eu ( Pessoal) que não combina muito com essa cena mas se a intenção foi trazer suspense e mistério com o que viria da bruxa a cena conseguiu. Outro aspecto positivo que não mencionei anteriormente são os cenários, estão bem bonitos e coloridos, bem mais vivos que a temporada anterior. Foi um episódio sem erros graves de direção e sem inconsistência grave de animação, o CG ainda está terrível para os personagens secundários mas tirando isso ganharam uma grande evolução em relação aos episódios anteriores.

Notas

Eu disse na crítica do episódio 3 que esse anime tinha potencial de melhorar e acertei, a narrativa está menos confusa, assim como o CG mais consistente, acho que futuramente os episódios vão melhorar cada vez mais já que esses dois episódios tiveram uma boa melhora. O episódio 4 teve uma primeira metade redonda e uma segunda metade incompleta e cenas de ação bem dirigidas, melhor que o episódio 3,  dou uma nota 6. O episódio 5 teve apenas uma trama e soube bem atingir seu objetivo, mas não teve cenas de ação e se baseou inteiro em exposição, dou uma nota 6 também, erram e acertam em medidas iguais, mais estão na média e são assistiveis. Ambos os episódios são muito parecidos e souberam executar bem o que se propõe, embora não sejam de auto nível de qualidade, nenhum episódio de Berserk 2017 ainda chegou a nível de 8 ou 10 pra mim, mas quem sabe o que esperaremos no futuro ?

Por mais que tenham seus problemas técnicos Berserk 2017 ainda tem um bom roteiro do mangá de Kentaro Miura que é bem escrito, diferente dos filmes que distorceram diversos pontos narrativos do mangá esse anime é bem mais fiel e ainda tem muito potencial que pode espremer. Será que até seu ultimo episódio esse anime ira nos surpreender ? Vamos ver…

 

 

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