Beserk (2017) Crítica – Episódios 1 e 2

Como dito em minha crítica anterior sobre Berserk (2016) não é novidade alguma que esse anime foi considerado uma das piores adaptações animadas já feita, mesmo assim, os produtores decidiram seguir adiante sem cancelamento e uma segunda temporada foi anunciada. Sem muito marketing, com teasers de poucos segundo e uma empolgação entre os fãs praticamente nula, es que surge em Abril de 2017 a  sua segunda temporada,  com o mesmo CG e animação limitada que a temporada anterior.  O que comentar sobre essa nova temporada ? Houveram mudanças boas ? Mudanças ruins ? Agora é um anime suportável de se ver  ? A resposta pra todas essas perguntas é não, não houveram  mas vamos aprofundar um pouco mais analisando seus 2 primeiros capítulos e entender o que esse anime falhou ou acertou.

Episódio 1

Antes de começar a crítica vou deixar claro que essa é uma adaptação do arco Millennium Falcon no mangá. Existe uma vantagem e uma desvantagem quanto a tomarem a decisão de adaptar este arco. A vantagem é que é um arco mais leve, mais colorido, mais apto para o grande público acompanhar; diferente de arcos como das crianças perdidas e do Espadachin negro, não tem um nível tão alto de violência e foca mais em criar um mundo fantástico. É um dos arcos mais controversos de Berserk pois é onde ocorre no mangá uma transição entre Fantasia sombria e algo mais próximo a fantasia padrão. Mas a principal desvantagem de adaptarem esse arco é que, diferente do arco  Aquisição do anime anterior,  esse já foi adaptado antes em uma adaptação muito boa por sinal pelo jogo de Ps2  Berserk: Millennium Falcon Hen Seima Senki no Shō através de suas cutscenes.

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Por que isso seria uma desvantagem ? Porque diferente do arco anterior que nunca foi adaptado nesse temos uma base de comparação, quanto mais se compara mais se percebe os defeitos  por mais simples que sejam, o Cg do jogo de ps2 é muito superior, a dublagem , a direção,  toda a qualidade das cutscenes desse game faz com que a experiencia de quem assistiu o anime e já viu esse arco adaptado de forma melhor com anterioridade se sinta ainda pior. Mas como diria um velho crítico que sou muito fã ” A comparação é a verdadeira chave da imparcialidade” então será mais fácil criticar de forma imparcial tendo como base o vídeo game, será um trabalho mais simples pra mim.

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O capítulo começa com uma ideia promissora, ao invés de mostrar logo de cara nossos protagonistas, somos apresentados a um grupo de crianças perdidas em uma floresta, (Clara referencia a um dos arcos cortados do anime “Arco das crianças perdidas” ) que avistam um estranho monstro voando no céu. Na ideia poderia ter sido uma ótima maneira de começar a temporada mas na prática não foi bem isso. Nunca vi uma direção tão terrível, a câmera fica movendo verticalmente sem nenhum propósito durantes o dialogo dos meninas, deixando quem assistir tonto e desconfortável e distraindo da suposta suspense.  A proposta da cena era tensão, pelo fato de ter crianças sozinhas na floresta e uma criatura estranha aparecendo do céu  mas a câmera não foca na criatura de maneira correta, os movimentos desnecessários te distraem e no fim o que poderia ser na expectativa uma cena criativa se torna algo descartável do episódio que não leva a lugar nenhum. Na verdade esse é um exemplo do principal problema do anime em geral a má direção, estraga qualquer que seja o momento e isso não se dá apenas pelo CG a cena em questão que estou citando é em 2D.

Quanto ao capítulo, Grifith acaba de ressurgir, como mostrado no fim da temporada anterior, e Gatts está voltando pra  sua antiga casa, agora podendo levar Caska e reencontrar com seu velho amigo Rickert e descobre que seu velho companheiro(Criador de sua espada Dragon Slayer)  acabou de morrer( Sem esboçar nenhuma reação) e que Grifith acabara de surgir em um antigo cemitério destinado aos companheiros mortos do bando do falcão feito, feito por Rickert. A trama do episódio é basicamente Gatts finalmente se encontrando com Griffith após sua ressuscitação em corpo físico , o primeiro encontro de Gatts e Griffith depois do eclipse adaptado em uma animação até agora, os dois se confrontam  sem Rickert saber que Griffith foi quem assassinou todo o bando do falcão.

Ai vem o principal problema desse episódio, deveria ser baseado no emocional dos personagens mas os modelos 3D não tem o mínimo de expressão. Basta comparar o modelo 3D do game por exemplo.

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É um episódio que Rickert descobre que Gatts mentiu, que Gatts reencontra Griffith depois de anos viajando pelo mundo e enfrentando demônios, um episódio que ele reflete sobre se deve salvar Caska ou  se vingar, um episódio em que Erica não quer ser deixada de lado por Gatts e Rickert e Rickert deve escolher se acompanha Gatts, Griffith ou fica com Erica. É um episódio que gira todo em torno do emocional dos personagens mas os personagens são modelos 3D que tem o mínimo de expressão fácil possível. A expressão de ódio do Gatts 3D é a mesma expressão que Gatts faz em todo momento no anime, o única representação de emoção nesse anime crível é a dublagem que está boa mas de resto, toda a tensão e todas as questão  abordadas naquele momento que no mangá é marcante, no anime não tem como se levar a sério, tudo pela falta de vida dos modelos 3D.

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O episódio é terrível justamente por isso.  Não dá pra fazer um episódio em que o foco são as emoções dos personagens usando modelos CGI com expressões mínimas. Até mesmo o Griffith que no mangá não demonstra expressões nessa cenas consegue ser ainda menos expressivo pelo modelo 3D. A única coisa que salva o episódio são os diálogos  bem escritos mas a maneira como é executado é terrível, como pedir pra manequins interpretarem Shakespeare.

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Quanto as cena de ação é algo tão ruim que da dor de cabeça só de assistir. A câmera fica girando sem parar, não dá chance de entender o que está acontecendo,  os dois modelos 3D tem movimentos lentos. No mangá foi uma cena extraordinária,  é uma criatura enorme enfrentando um ser humano que mal consegue segurar uma espada  daquele tamanho e lutando de igual para igual com o monstro , no mangá sentimos o peso da espada, sentimos a velocidade dos movimentos de Zod e o esforço de Gatts, já no anime não. Não parece um ser humano enfrentando uma criatura além da imaginação apenas com força de vontade, parece um modelo 3D feio enfrentando outro modelo 3D feio, é algo desagradável e quando assisti fiquei torcendo pra ver as cenas de dialogo sem vida, tudo pra minha cabeça parar de doer com essa luta. Sem falar do Rickert ter que narrar a luta e dizer o quanto ela é incrível coisa que  não parecia, tudo bem que ele faz o mesmo no mangá mas um anime tem uma linguagem diferente, o mangá é uma leitura e o anime estamos vendo a cena acontecendo, o dialogo expositivo do Rickert  poderia facilmente ser cortado pra distrair menos durante a luta mas ai já é pedir demais, pedir pra esse anime não fazer a pior coisa possível é pedir de mais.

É um episódio com um ótimo roteiro péssima direção, péssima animação, péssima experiencia. Dou nota 1 porque pelo menos a trama e os diálogos fieis ao mangá são muito bons. Recomendo ver essa mesma cena no game de ps2 que pelo menos os personagens tem boa expressão fácil e transmitem emoções quando devem.

Episódio 2

Pra minha surpresa quando estava prestes a desistir desse anime para o bem estar de minha saúde mental es que descubro que saíram dois episódios, já que sofri com o primeiro porquê não dar uma chance ao segundo ? E para minha surpresa o segundo foi muito bom… E diferente do primeiro que não tenho nada pra comparar a qualidade, além do mangá, acho que é um dos melhores até agora; embora não tenha muito progresso na trama e gire mais em torno dos personagens em si , seus conflitos internos, seus monstros interiores…

A história começa em com  Gatts descobrindo sobre a ilha dos elfos e querendo levar Caska pra esse lugar que é considerado por Puck como seguro. O problema é que Caska tem sérios problemas mentais e é difícil pra Gatts carrega-la por ai, ainda mais quando seu demônio interior o domina , podendo feri-la a qualquer momento. Enquanto isso vemos Flashbacks mostrando o passado de  Farnese e Serpico, sobre como Serpico era um servo de Farnese desde muito novo e quer protege-la a todo custo.

O episódio tem 2 grandes méritos. O primeiro é ser tematicamente consistente, porque embora sejam duas histórias diferentes, ambas são sobre os demônios interiores dos personagens. Gatts por ter  um monstro  dentro de si que quer atacar e violar Caska, adquirido graças a toda tensão acumulada a protegendo com o passar dos anos, Farnese  por seus desejos sádicos que possui desde criança, graças a sensação de solidão após ser rejeita pelo próprio pai e ficar presa em um castelo como uma jaula, e Serpico  por seu sentimento de posse quanto a Farnese. Em geral o episódio trata sobre os demônios de cada um dos três personagens , o uso do flashback no episódio que achei inicialmente  desnecessário no fim teve certo propósito e pra mim o único problema foi a trama ter deixado de andar pra girar em torno da reflexão dos personagens, coisa que não é de todo ruim já que a primeira temporada não nos deu tempo de se importar com ninguém. E o segundo mérito é que maior parte do episódio foi feito com animação 2D.

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Não vou dizer que a animação 2D está incrível pois está muito abaixo da média, porém pelo menos diferente do primeiro capítulo os personagens aqui tem expressão, tem mais vida, não são a coisa mais linda do mundo mas demonstram tristeza, demonstram medo, raiva.  A história de Farnese é contada pelo ponto de vista de Serpico e conseguimos dessa vez nos simpatizarmos mais com os personagens que na temporada anterior e o melhor desse episódio é que, diferente do anterior, tem muito mais vida. Sofremos junto com Serpico quando tem que queimar a própria mãe, sofremos quando  Farnese queima a casa em uma crise de loucura, não apenas pelo roteiro ou dublagem mas porque vemos a expressão de sofrimento dos personagens, coisa que os modelos 3D não conseguem fazer.

Um episódio que pra mim está bom em comparação a praticamente todos até agora e espero que usem mais da animação 2D do que CG, eu não sou conservador de animação em 2D mas no caso de um mangá que o emocional dos personagens é muito mais importante que a ação o CG é um grande inimigo. A nota que dou pro episódio é 4, que pro meu tipo de média é muito, tem que se considerar que a direção continua ruim e a animação 2D ainda está em nível de Toei e Pierrot.

Esse foi o fim da crítica só espero que os próximos episódios tenham um nível de qualidade mais próxima ao segundo que do primeiro.

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